"Ter filhos e criá-los é cada dia gerar e pari-los outra vez, sem descanso."
Lya Luft, Perdas e Ganhos.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Meu dever de casa - A tarefa de ser mãe.

Não consigo lembrar nenhum dia que a Clara tivesse que fazer dever de casa e esse momento não tenha se transformado numa novela mexicana com direito a gritos, choros e muita lamentação. O fato é que rola estresse sempre e não sei mais o que fazer para transformar esse momento num momento agradável pra todos nós. Ela só faz o dever “numa boa” depois que eu brigo, grito e reclamo. Aí sim depois de tudo isso ela senta e faz rindo, brincando e conversando como se nada tivesse acontecido.


Procuro sempre fazer o dever pela manhã do sábado, logo após o café. Ou seja, a barriga nunca está vazia, então não é fome. Sentamos na mesa da cozinha com os seus materiais e ao sinal da primeira letra começa a ladainha. Segura o lápis e fica olhando para o teto e escreve errado, apaga, escreve errado, apaga, chora, apaga mais um pouco, diz que não sabe, eu explico novamente, refaz errado, apaga e chora mais um pouco e chora e chora...

Nisso eu já estou uma pilha. Porque eu explico, pergunto se entendeu, ajudo a soletrar quando ela não consegue escrever e mesmo assim não vai. Já cheguei ao cúmulo de pensar em brigar antes mesmo de começar para que o dever seja feito numa boa.

Ontem ela me levou ao limite e eu acabei ofendendo e xingando e ela chorou e eu também. Doeu mais em mim do que nela , por não ter conseguido me controlar. Conversei com ela depois e a bichinha não parava de chorar, doía, mas eu precisava entender o que acontece toda vez que há necessidade de se fazer um dever de casa. A justificativa dela é que ela não sabe, não entende, mas eu sei que isso é só uma desculpa. Porque ela brinca em casa de escolinha e escreve, lê, desenha e pinta como faz nos trabalhos de casa. Depois da briga de ontem, dos soluços, da culpa ela pediu para fazer novamente o dever e sentou quietinha e fez o que antes havia demorado meia hora para iniciar em 2 minutos.

É inacreditável que na escola ela faz sem criar maiores problemas. Quando eu aviso que tem dever de casa, ou mesmo quando ela pede para fazer , a primeira pergunta que faço é: -“Você realmente quer fazer esse dever agora? Vamos sentar e fazer tudo numa boa?” E mais cedo ou mais tarde rola o estresse.

Lembrando das cenas ontem, vejo que sou eu quem não faz o dever de casa como mãe. Ontem na conversa eu disse que já tinha dado aula para meninas como ela, da mesma idade e que essas meninas gostavam de fazer os trabalhos comigo. Eu não consigo conduzir esse momento, percebo que ela joga, se faz de desentendida e tem preguiça de pensar e isso atrapalha. Já conversei na escola, só ano passado foram duas reuniões para tratar desse assunto e a explicação é sempre a mesma, na escola ela faz sozinha e é rápida. Não consigo entender o que falta pra ela ter o mesmo comportamento em casa.

7 comentários:

Talita disse...

Bem, como ainda não tenho filhos, não posso ao menos dar um palpite... Mas te desejo muito boa sorte nessa difícil etapa.

Beijos

Anônimo disse...

Oi Liane, sempre leio mas tenho prehuiça de comentar...mas hj especialmente me identifiquei com o seu post...a minha filha está no 1 ano e estou tendo essa mesma dificuldade com ela...ela se distrai, fica agitada, e eu acabo me estressando tbém...imagino que seja só fase...a Vitória noto que ela tem medo de fazer errado, importante é mantermos a paciência pois elas confiam e precisam muito de nós nessa fase do aprendizado.
Bjos, Priscila

Liane disse...

Priscila você tem razão. Pode ser medo de errar. E quanto a fase eu tenho minhas dúvidas. A Clara já tem deveres de casa desde muito novinha, há pelo menos 3 anos e sempre foi assim. Já me questionei quanto a essa pedagogia aplicada na escola. Apesar disso eu gosto.

Não sei como fazer e pode deixar se tiver algo que esteja melhorando aqui em casa, posto no blog pra dividir com você.

Beijos e obrigada pelo comentário.

Anônimo disse...

Liane,
Ja pensou que esse drama todo pode ser inconscientemente para chamar de algum modo a sua atençao? porque se ela faz na escola falta de capacidade não é!! Já tentou ignorar o comportamento dela??? coloca pra fazer a liçao, se ela resmungar, chorar, vc explica as consequencia do que significa nao fazer a tarefa e deixa pra lá... se for só pra chamar sua atençao ela se frustrará e vc vai perceber...
tente!
Boa sorte!

Liane disse...

Pode ser isso também. Ano passado a professora chegou a me dizer que ela reclamou na escola que eu só dava atenção pra irmã. Eu sempre busquei ter momento a sós com ela também. O problema de tudo é a cobrança. Hoje em dia somos cobradas por tudo, se damos atenção demais erramos, se de menos erramos também. É complicado, viu!

Vou fazer como você disse, deixar que ela faça sozinha e procurar não me estressar tanto nesses momentos, fez bem se não fez vou escrever na agenda e ela que se entenda com a professora. Na última vez eu disse todas as consequências de não fazer o dever, mas acabei exagerando porque me descontrolei.

Um beijo e obrigada.

Priscila disse...

Ai Liane, passo pelo mesmo dram a q vc hj a Giovanna está no 4º ano e ainda continua, eu larguei de mão, falei pra ela q se fizer bem se não azar o dela, pq não tinha mais como contornar a situação, cheguei a gritar, chorar e falar palavras q machucam mto e depois me senti mto culpada por tudo isso. Hj aviso qd chegar em casa quero a lição pronta q vou corrigir, e adivinha? a lição sempre pronta e certa??? AONDE SERÁ Q ESTAMOS ERRANDO... com tudo isso sabe oque descubri, q ela me stressava pq no final eu já cansada dava a resposta sem ela precisar procurar, PENSE SE NÃO É ISSO TB Q A CLARINHA ESTÁ QUERENDO!!!

Bjos e Boa sorte!!!

Anônimo disse...

Nunca li algo tão igual ao que sinto. Meu filho está no 1º ano (alfabetização) e eu passo EXATAMENTE por isso. Abri o google buscando algo que me orientasse e cheguei aqui. Eu já não sei mais o que fazer e qdo penso em desistir, eu me culpo pq somos mães, esse pe nosso dever, não posso pensar em disistir dele. Já li muito, já rezei muito antes, mas SEMPRE acaba do mesmo jeito: gritos, choro (meu e dele)....um horror. Até com taquicardia eu fico. Que tristeza...

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